Dentro das possibilidades da demissão humanizada, uma delas é a extensão de benefícios para o ex-funcionário. É uma prática que algumas empresas adotam como uma ação de employer branding – porque a marca da empresa como empregadora conta quase tanto quanto a marca como vendedora.

Mas, porque manter benefícios para um funcionário desligado?

Porque é uma maneira de manter amenizar a demissão, e que podem ajudar a evitar que o ex-funcionário entre com ação trabalhista. Extender alguns benefícios não é uma prática comum, mas é uma ação desejável que visa ajudar a pessoa e preservar a empresa, demandando um custo sensivelmente menor que advogados e se não faz da pessoa demitida um defensor da marca, neutraliza um possível detrator.

As ações para isso são várias:
– Manter o plano de saúde por um período determinado, o que é bastante importante especialmente durante a pandemia – e se puder manter para seus dependentes, mehor ainda.
– Manter o Vale-alimentação ou a cesta básica é uma maneira muito bem vinda de auxílio amenizador, evitando gastos da rescisão;
– Oferecer uma carta de recomendação em casos de demissão sem justa causa, é uma forma de deferência bastante bem vinda;
– Disponibilizar acesso a cursos de atualização ou a plataforma de cursos que a empresa tenha convênio;
– Encaminhar esse ex-funcionário a empresas de recrutamento ajuda bastante
– Oferecer e até mesmo incentivar a pessoa demitida a usar convênios com clínicas psicológicas para tratamento e busca de novas perspectivas.

Claro, nada disso é uma obrigatoriedade, mas pense um pouco: em uma única ação trabalhista, mesmo que a empresa ganhe, quanto tempo e esforço são empregados no processo? E além disso, uma pessoa que tenha uma experiência ruim de demissão pode fazer com que possíveis novos candidatos não venham a se interessar pela sua empresa – basta uma passada no linkedin ou no facebook para ver pessoas reclamando de posturas, ações e culturas de suas empresas, ou pedidos de demissões considerados épicos.

Em tempos de mídias sociais, zelar pela sua imagem perpassa também a maneira de agir com seus funcionários em momentos decisivos, especialmente os piores, como uma demissão. Estamos vendo várias fotos de onboarding, mas também vemos “fechamentos de ciclos”, como se fala no Linkedin quando alguém sai da empresa, e o employer branding não é apenas um texto fofo de despedida na foto da pessoa: é uma postura que tem ações antes, durante e depois que a pessoa sai. E no tema tratado, quando ela sai é um momento de agir em favor da pessoa, pensando na empresa.